Os anos 1990 marcaram uma virada importante na história da guitarra. Depois do excesso técnico e visual do hard rock oitentista, uma nova geração trouxe peso, dissonância e uma crueza que redefiniu o instrumento. Muito desse movimento nasceu no noroeste dos Estados Unidos, especialmente na cena de Seattle, berço do grunge.
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Foto: Jonathan Weiner
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Entre os nomes centrais daquele período está Jerry Cantrell, guitarrista do Alice in Chains. Ao lado do saudoso vocalista Layne Staley, ele ajudou a criar um dos catálogos mais sombrios e influentes da década, com músicas como “Man in the Box” e “Them Bones”, além do clássico álbum Dirt (1992).
Por ser referência para gerações posteriores, Cantrell frequentemente é questionado sobre seus próprios ídolos. Em entrevista à revista Guitar World, em 2021, enquanto promovia o álbum solo Brighten, ele foi instigado a apontar quem seria o maior guitarrista surgido na cena grunge – tarefa nada simples para alguém que viveu o movimento por dentro.
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A resposta acabou recaindo sobre Kim Thayil, do Soundgarden. “É difícil dizer; todo mundo é muito único. Kim Thayil é maluco. Ele tem um estilo maluco que é único por si só. É uma mistura de estilos – super grande e fora de controle, mas bem na beira de sair dos trilhos e voltar de novo. Eu sempre admirei o jeito que ele toca”, afirmou Cantrell.
Ele também citou outros nomes importantes da cena, como Stone Gossard, do Pearl Jam, e Kurt Cobain, do Nirvana. Sobre Gossard, destacou o equilíbrio entre punk e melodias baseadas em riffs clássicos. Já sobre Cobain, definiu o estilo como um cruzamento entre punk e pop, com composições simples e memoráveis, carregadas de ferocidade.
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Mesmo reconhecendo a força dos colegas, Cantrell foi direto ao ser pressionado a escolher apenas um nome: “Se eu tivesse que escolher um, seria o Kim.” A declaração reforça o respeito entre músicos que ajudaram a moldar o som de uma geração.
Thayil, por sua vez, já comentou que divide suas músicas favoritas do Soundgarden entre aquelas que mais gosta de ouvir e as que mais gosta de tocar. Entre as preferidas estão “Nothing to Say”, “4th of July” e “Slaves and Bulldozers”, faixas que evidenciam justamente o caráter imprevisível e expansivo citado por Cantrell.
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