O Stress é uma das bandas pioneiras do metal brasileiro, sendo a primeira do estilo a lançar um disco no país, há mais de 40 anos. A banda segue forte com sua proposta de heavy metal cantado em português e lançou em 2025 o single “Grito de Liberdade”.

Tivemos a oportunidade de conversar com Roosevelt Bala, vocalista e baixista do grupo, que compartilhou com o Whiplash.Net detalhes dos seus primeiros contatos com a música e os álbuns que o marcaram. Pegue os fones de ouvido e aumente o volume para conferir os discos escolhidos.

Foto: Moadias Branco

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“Hail, rockers! Aqui quem vos fala/escreve é Roosevelt Bala, o ‘Coração de Metal’, vocalista e baixista do Stress, os pioneiros do metal nacional.

“A música entrou na minha vida muito cedo. Aos 3 anos de idade, eu costumava ouvir muito a única rádio que havia na cidade – a TV ainda nem havia chegado; isso era em 1964. No meio de tantas músicas populares, de vez em quando tocava o chamado ‘yê-yê-yê’, uma espécie de apelido nacional para o embrião do rock ‘n’ roll. A maioria era de versões em português de hits de Beatles, Stones e outras bandas gringas emergindo para o sucesso mundial.

“No Brasil, começava a surgir a ‘Jovem Guarda’, o primeiro movimento da música pop que tivemos. Adolescentes, jovens e até crianças, como eu, se encantavam com os artistas – suas roupas, cabelos, adereços -, que, pouco tempo depois, se apresentavam todos os domingos na TVs Record e Tupi, no programa que deu nome ao movimento, comandado pelo Rei Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléa. Foi uma febre nacional, até hoje é cultuado. Eu costumava pegar a vassoura e simular tocar guitarra, batendo meus longos cabelos – sim, eu era uma criança cabeluda, um babybanger (risos).

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“Acompanhava sempre a evolução da música, especialmente do rock, que me atraiu desde os primórdios. Comecei a comprar LPs aos 9 anos, eram caríssimos, assim como as eletrolas, aquele móvel enorme, uma caixa retangular, com quatro pezinhos. Minha primeira paixão foi pela banda Creedence Clearwater Revival, comprei todos os discos. Com o passar dos anos, conheci os mais pesados: Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, Kiss… assim, começava a moldar meu perfil rocker raiz.

“Em 76, a convite de um amigo da escola, entrei para uma banda de rock, que teve vários nomes – Pinngo D’água, Elektra, TNT. Começamos tocando em festinhas de 15 anos dos amigos e amigas, todos da nossa idade. Em 77, estreamos em show aberto oficialmente, com o nome Stress. Ainda éramos covers de Sabbath, UFO, ELP, Pink Floyd, Led, Sweet, Beatles e Stones. Logo nos tornamos bem conhecidos – era quase impossível tocar sons dessas bandas naquela época, sem recursos e sem nunca termos visto os caras em movimento, não havia vídeos, só fotos. Lotamos todos os teatros e ginásios da cidade.

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“Em 1980, começamos a compor nossas próprias músicas, com um só pensamento: ‘Temos de ser a banda mais pesada e mais rápida do mundo’. E naquela época nossas músicas eram, sem saber o que estava rolando pelo resto do Brasil e quase nada pelo mundo. Assim surgiu o álbum ‘Stress’, nosso debut, oficialmente o primeiro disco de heavy metal gravado no Brasil. É com muita honra que carregamos esse título, mantendo a tradição no som pesado e cantado em português, para todos os brasileiros entenderem direto as nossas mensagens.

“O resto da história conto depois. São quase 50 anos de estrada, com muitas batalhas vencidas e outras nem tanto, faz parte. Sem arrependimentos, só gratidão a todos que nos apoiaram e nos ajudaram a realizar sonhos: tocar no Circo Voador, no Canecão, abrir show do Iron Maiden (nossos ídolos) e estrelar o filme Brasil Heavy Metal, cuja música-tema é nossa e foi eleita em 2026 (Mundo Metal) ‘O maior hino da história do Metal BR’. Foram inúmeras conquistas (Melhor álbum de 2019 – ‘Devastação’), e ainda estamos de pé, compondo disco novo e prontos para ganhar os palcos em 2026. Nos veremos em breve!”

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1 – Creedence Clearwater Revival – “Cosmo’s Factory” (1970)

“Foi meu primeiro contato com um som mais pesado, em 1969. Vocais agressivos e riffs marcantes, além de melodias simples e inesquecíveis. Ali percebi que Beatles não era a minha praia: era um garoto que, como eu, queria mais agressividade.”

2 – The Sweet – “Sweet Fanny Adams” (1974)

“Um dos discos que mais ouvi na vida. Tinha todos os elementos de que eu gostava: riffs, melodias, peso, harmonia, refrões e, principalmente, o grupo de vocais mais fudidos do hard rock. A qualidade de gravação e produção impressiona até hoje. Detalhe: muitas músicas tocavam na rádio e nas festas, pois os ritmos permitiam a dança solta, já que não havia a disco music ainda.”

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3 – Led Zeppelin – “Led Zeppelin II” (1969)

“Eu poderia citar outros tantos do Led. É uma das minhas bandas favoritas e me influenciou muito no aprendizado do canto. Na minha modesta e calejada opinião, é a melhor banda da história do rock, do blues, do rock ‘n’ roll, do folk, do progressivo, do hard até o heavy. Criaram harmonias e melodias antológicas. Sou suspeito para falar, fanzaço!”

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4 – AC/DC – “If You Want Blood You’ve Got It” (1978)

“Esse disco é uma aula de rock ‘n’ roll. Mostra que um riff simples, três acordes, um vocal agressivo e melódico, e um refrão poderoso, tocados com muita energia e verdade, podem literalmente levitar plateias ávidas de diversão e liberação de energia. É aquela máxima: menos é mais! Não troco essa simplicidade dos Youngs por nenhuma das fritações dos virtuosos do prog e do metal melódico. Mas sou velha guarda (risos).”

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5 – Judas Priest – “Unleashed In The East” (1979)

“Ouvi tantas vezes esse álbum que ficou no meu inconsciente. Uma aula de heavy metal raiz, com todos os elementos que me agradam: riffs matadores, levadas e viradas de batera, duetos e solos de guitarra antológicos… e a cereja do bolo: Rob Halford na sua melhor forma e performance ao vivo. Aprendi muito do que canto hoje com o professor, ídolo absoluto. Para mim, o Judas é a melhor banda de heavy metal da história.”

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