Guitarrista do Megadeth entre 1984 e 1987 – tendo trabalhado novamente para a banda em 1989 e 2004 como convidado –, Chris Poland conhece bem a natureza agressiva de Dave Mustaine. Em entrevista ao Heavy Metal Mayhem, o músico recordou perrengues que passou junto ao líder da banda.

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Foto: Capitol Records – Robert Matheu

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“Morávamos juntos num estúdio de ensaio nos primeiros tempos da banda. Tomamos ‘banhos de passarinho’, com água fria na pia, durante um ano. Depois fizemos várias turnês. Estávamos sempre juntos. Éramos uma banda de verdade quando o Megadeth começou. E quando isso acontece, todo mundo acaba virando irmão.”

Por conta disso, o instrumentista garante não guardar mágoas. “Sei que o Dave falou coisas horríveis sobre mim nos últimos anos, mas não guardo rancor. Eu entendo, sei como o ele é. Eu conheço o Dave. Ele é assim mesmo, fala as coisas sem pensar e tenho certeza de que se arrepende depois.”

Poland gravou os dois primeiros álbuns da banda, “Killing Is My Business… And Business Is Good!” (1985) e “Peace Sells… But Who’s Buying?” (1986). Participou das demos de “Rust in Peace” (1990) e registrou solos em “The System Has Failed” (2004). Sobre o último citado, guarda boas lembranças, mesmo sabendo que não retornaria em definitivo.

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“Quando Dave me convidou para participar em ‘The System Has Failed’, eu pensei: ‘Claro, óbvio que toco’. E o engraçado é que a vibe era a mesma que senti nos dois primeiros discos. Tem algo especial quando ele compõe riffs e eu toco por cima – existe uma espécie de magia estranha, cara.”

Em relação à liberdade que tinha para contribuir com suas ideias, Chris deu créditos a Mustaine. “Com o Dave, era assim: se você tocasse alguma coisa e ele não dissesse para não tocar, então você podia tocar. Então, quando eu fazia as harmonias descendentes em ‘Peace Sells’ ou adicionava alguma nota menor em um acorde aqui ou ali, e ele não dizia ‘Ei, não toque isso’, então eu tocava. Mas, em termos de composição, o Dave escrevia tudo. Tudo o que eu fazia era improvisar com uma nota aqui e ali ou uma harmonia. Mas essa é a questão com o Mustaine – quero dizer, ele ainda está compondo riffs hoje que são incríveis. É o mestre dos riffs.”

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Encerrando, o guitarrista deu uma definição interessante sobre suas impressões em relação à obra do grupo nos primórdios. “A forma como encarava a música do Megadeth era: ‘Isso é um Led Zeppelin acelerado’. Era assim que eu via. Tinha uma boa noção de como conseguir um bom som distorcido, então quando os pedais entraram em cena, simplesmente me adaptei. E aí, claro, aquela coisa do spider chords (nota da redação: Técnica usada para reduzir o ruído das cordas ao tocar riffs que exigem mudanças de acordes de potência em várias cordas). Aprendi muito com o Dave.”

No momento, Chris Poland tem uma carreira voltada ao fusion e jazz rock, seja com seu trabalho solo ou com o OHM. Recentemente, participou de álbuns com o ex-colega David Ellefson, além do Redemption e Tourniquet.

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