Quando se fala em grandes guitarristas da história, nomes como Jimi Hendrix, Eric Clapton ou Jimmy Page costumam aparecer imediatamente. Mas para Bob Dylan, o músico que mais o impressionou não pertence exatamente à lista mais popular do rock.
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Foto: Sony – BMG
Ao longo da carreira, Dylan sempre priorizou a força da composição e da interpretação acima da técnica instrumental. Canções como Blowin’ in the Wind nasceram praticamente despidas de arranjos sofisticados. Ainda assim, quando chegou a hora de gravar seus trabalhos mais ambiciosos, ele fez questão de reunir músicos capazes de traduzir a emoção das canções.
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Nos anos 1960, essa busca por novos sons levou Dylan a abandonar o folk acústico e abraçar guitarras elétricas – decisão que provocou indignação entre puristas do gênero. O passo decisivo aconteceu durante as sessões de Highway 61 Revisited, quando ele chamou um guitarrista que, segundo o próprio artista, parecia entender perfeitamente o espírito de suas músicas.
Esse músico era Mike Bloomfield, então conhecido por seu trabalho na The Paul Butterfield Blues Band. Bloomfield tocou na histórica gravação de Like a Rolling Stone, considerada uma das faixas mais importantes da história do rock.
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Em declarações lembradas pelo jornalista Tim Coffman no site Far Out, Dylan não economizou elogios ao falar do guitarrista: “Quando pensei em trazer um guitarrista para tocar no meu disco, a única pessoa em quem pensei foi nele. Quero dizer, ele era simplesmente o melhor guitarrista que eu já tinha ouvido em qualquer nível.”
O compositor também destacou a versatilidade de Bloomfield, capaz de transitar por diferentes estilos com naturalidade: “Ele conseguia tocar com palheta, conseguia tocar fingerstyle. Parecia que tinha nascido para tocar guitarra.”
Bloomfield não era exatamente um virtuose no sentido técnico que viria a dominar o rock nos anos seguintes. Mas seu estilo carregado de blues, cheio de imperfeições e emoção, era justamente o que Dylan buscava. Cada nota parecia vir carregada da tradição de músicos como John Lee Hooker e Robert Johnson, referências fundamentais do gênero.
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Para Dylan, o importante nunca foi tocar mais rápido ou mais limpo do que os outros guitarristas. O que ele procurava era alguém capaz de expressar sentimentos através do instrumento com a mesma intensidade que ele colocava em suas letras. E, nesse aspecto, Bloomfield parecia ser o parceiro ideal.