Neil Peart passou a vida sendo lembrado por viradas enormes e partes de bateria cheias de detalhe, mas uma das faixas que ele mais gostava de ouvir (e assistir sendo tocada) foi justamente o oposto disso: um groove “simples” no papel, feito do jeito certo. Ele contou que sua música favorita de tudo o que gravaram num projeto específico foi “Love for Sale”, com Steve Gadd.
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A história vem do “Burning for Buddy: A Tribute to the Music of Buddy Rich”, um tributo lançado em 1994 com a Buddy Rich Big Band e convidados na bateria. Peart produziu o disco, e uma das faixas é “Love for Sale”, com Steve Gadd na bateria (arranjo de Pete Myers).
O que pegou o Peart ali não foi “técnica pra impressionar”. Foi o jeito como o Gadd faz a coisa respirar: “Inacreditável. Quando ele fez ‘Love for Sale’ no tributo ao Buddy, ele está tocando essa semínima, e é tudo implícito! Aquilo foi uma grande lição pra mim. Eu ouvi e pensei: ‘Por que isso soa tão bom?’ Aquela virou minha música favorita de tudo o que gravamos. Eu ficava ouvindo, de novo e de novo. Eu assistia ele tocar aquilo.”
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O mais legal dessa fala é que ela mostra um Peart bem menos “monumento” e bem mais “aluno atento”. Ele diz que ficou no estúdio ao lado dos bateristas convidados, observando e absorvendo as performances – como quem sabe que dá pra aprender muito mais olhando um cara encaixar um groove do que colecionando frases sobre “virtuosismo”.
E o nome do Steve Gadd não aparece por acaso nesse tipo de conversa. Ele é um daqueles músicos que viraram referência justamente por alternar linguagem sofisticada e função de apoio sem fazer alarde – e é bem plausível que isso pegasse num baterista que sempre pensou em “parte de música”, não só em exibição.
Então o que temos é que a “música favorita” do Peart nesse contexto não é a mais rápida, nem a mais barulhenta, nem a mais cheia de informação. É a que dá aquela sensação de encaixe inevitável, e que faz você perguntar, como ele perguntou, “por que isso soa tão bom?”.
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