Jack Black é daqueles caras que falam de rock com brilho no olho, mas sem tentar pagar de “crítico”. Numa entrevista, ele explicou por que vê os Beatles como algo que vai além de banda: pra ele, o tamanho do fenômeno não está só nas músicas, e sim no efeito em cadeia – na forma como o grupo mudou a ideia de celebridade, de alcance e até do que parecia possível para uma banda.
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Foto: Divulgação – Columbia Pictures
– CLI
Ele lembra aquele ponto de ruptura em que a Beatlemania “virou regra do jogo”. Milhões de adolescentes gritando, correndo atrás da banda, e o mundo inteiro entendendo que fama, dali em diante, tinha outra escala. A imagem que ele usa, conforme colocou a Far Out, é quase cinematográfica: o rock no nascimento, o choque cultural, e uma plateia que parecia estar vendo algo impossível. “Quando você pensa no rock lá na origem e pensa nos Beatles, com milhões de crianças gritando o mais alto que conseguem e correndo o mais rápido que conseguem em direção aos Beatles…”
– GOO
A partir dessa lembrança, ele fala de magnetismo. Não é “melhor disco”, “melhor música”, nada disso. É uma ideia de energia concentrada, de banda que vira centro de gravidade, que puxa tudo pra si – música, moda, comportamento, conversa de bar e de jornal. E ele tenta resumir isso com uma imagem quase física. “Não existe ninguém que seja esse tipo de para-raios, que comande esse tipo de poder e tenha essa lava criativa.”
E depois de colocar os Beatles nesse lugar quase inalcançável, ele admite que existe uma banda que, na visão dele, chegou perto desse tipo de poder cultural. Não “melhor”, não “igual em som”, mas semelhante no tamanho do impacto popular, no sentido de virar a última banda a realmente dominar o imaginário.
– CLI
Pra Jack Black, essa banda é o Nirvana. Ele puxa a década de 1990 como o último momento em que uma banda teve uma força comparável, e formula isso como pergunta, quase provocação, porque a resposta já vem embutida. “Eu sustento que a última banda a realmente ter esse tipo de poder – eu vou dizer – foi o Nirvana. Quem, desde o Nirvana, foi tão grande quanto o Nirvana desse jeito?”
O argumento dele é menos sobre genealogia musical e mais sobre alcance. Beatles como ponto de virada dos anos 60, Nirvana como ponto de virada dos 90. Uma banda define o que “banda” pode ser, a outra redefine o que o rock pode soar e representar numa era completamente diferente e, na cabeça dele, pouca coisa depois conseguiu repetir isso no mesmo nível.
– GOO
A graça é que essa opinião não vem de alguém que precisa “defender” o Nirvana pra parecer cool. Ela vem de um cara que é pop, faz comédia, atua, toca, e ainda assim enxerga rock como fenômeno social. E talvez por isso a comparação dele funcione: não é uma briga de discografia, é uma observação sobre momentos em que uma banda parece ter dominado o ar que todo mundo respirava.
– CLI