Rick Rubin já trabalhou com gente demais e em estilos demais pra ficar preso a uma “fase”. Mesmo assim, ele já apontou um álbum como o mais extremo que produziu. E não é difícil adivinhar qual: “Reign in Blood” (1986), do Slayer, aquele disco curto, direto e agressivo que parece começar correndo e só para quando acaba.
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Foto: jasontheexploder @ wikimedia – CC BY 3.0
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Ele descreveu o clima daquele período como um medo coletivo de “vender” o som, e disse que a reação foi deliberada: empurrar tudo para o limite. “Todo mundo tinha medo de que a gente fosse se vender. Então nós fizemos de propósito o álbum mais extremo que a gente poderia fazer. Com o Slayer nunca houve nem sinal de algo comercial. Sempre foi sobre ser o mais puro possível, ser o mais extremo possível.”
O curioso é que essa ideia de “extremo” não está ligada só a velocidade ou a peso. Está no foco: músicas que não respiram muito, arranjos que não deixam espaço para “frescura”, e uma sensação de urgência que parece permanente. O álbum é curto, mas isso vira parte do impacto, como se o ouvinte levasse uma sequência de golpes e não tivesse tempo de organizar a cabeça entre um e outro.
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E o próprio Rubin trata isso como um teto difícil de repetir. Não porque o Slayer não pudesse tocar daquele jeito de novo, mas porque aquele conjunto de circunstâncias – a fase da banda, a intenção, a vontade de provar um ponto – formou uma combinação específica. Ele dá a entender que a energia daquele momento não é coisa que você reconstrói por fórmula.
Depois disso, é natural que a banda tenha procurado outros caminhos sem virar outra banda. Mesmo sem “baixar a guarda”, dá pra ouvir em discos posteriores um ajuste de abordagem, um pouco mais de espaço, um pouco mais de variação, não como concessão ao mainstream, mas como necessidade de seguir em frente sem ficar refazendo o mesmo ataque.
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A explicação do Rubin é quase simples demais: o Slayer estava com medo de perder o que era, então fez um disco que eliminava qualquer dúvida. E, pra ele, essa foi a medida do que significa produzir “o mais extremo”: quando o objetivo não é agradar, é deixar claro, sem margem de negociação, qual é o som e qual é a ideia.