Em 1986, quando o Metallica lançou “Master of Puppets”, Regis Tadeu descreve o impacto como um terremoto no metal. Quatro décadas depois, ele insiste que o disco continua soando como um rolo compressor, desses que ainda chegam com força mesmo em quem não é do estilo e não tem intimidade com som pesado.

Pra ele, existe um grupo pequeno de discos que viram unanimidade real na história da música, e é ali que ele coloca o disco do Metallica ao lago de outros títulos muito importantes: “Meu amigo e minha amiga, são raros os álbuns que podem ser considerados como unanimidades em toda a história da música. Ninguém é imbecil o suficiente para dizer, por exemplo, que ‘The Dark Side of the Moon’ é um disco chato, que o ‘Machine Head’ é fraco, que o ‘Pet Sounds’ tem umas canções bobinhas, que o ‘Led Zeppelin IV’ tem só três boas músicas, ou que o ‘Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band’ tem orquestração tão irritante. (…) Agora, se você continua nesse vídeo, é porque você tem bom gosto musical e senso de ridículo. E é para você que eu digo: pode colocar o sensacional ‘Master of Puppets’ na lista de álbuns que são unanimidades incontestáveis.”

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Foto: buurserstraat38 @ www.depositphotos.com

Daí ele entra no álbum como “salto” em relação ao “Ride the Lightning” e amarra isso numa combinação de momento e formação: James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Cliff Burton numa fase em que, segundo ele, a banda juntou melodias muito marcantes, riffs fortes e letras bem mais desesperançosas do que o clichê do metal de sangue e tripas. Ele encaixa tudo no clima dos anos 80 (paranoia, política, guerra, insanidade) e diz que a imprensa da época percebeu rápido que não era “só mais uma” banda.

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O ponto que ele martela é esse equilíbrio entre técnica e impacto: mudanças de andamento, harmonias dobradas, pausas e viradas funcionando não como exibicionismo, mas como mecanismo de tensão e catarse. E aí vem a parte em que ele especula sobre o que teria mudado na discografia do Metallica se Cliff Burton não tivesse morrido meses depois do lançamento – incluindo o baixo do “…And Justice for All”, o “domesticado” do “Black Album” e as críticas dele ao “St. Anger”:

“Hoje eu tenho quase certeza de que o Metallica não lançaria os mesmos álbuns que ele veio a soltar nos anos seguintes. O ‘…And Justice for All ‘teria o som do baixo ali bem na cara, sabe? Ao contrário do que realmente aconteceu com o coitado lá do Jason Newsted. O ‘Black Album’ não soaria tão, vamos dizer assim, domesticado, e o ‘St. Anger’ não teria tantas canções fracas e aquele som de bateria que mais parecia um batuque em lata de goiabada.”

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No fechamento, ele volta à ideia de permanência: o disco ainda soa atual, potente e relevante, e por isso ele recomenda ouvir na íntegra e na sequência do álbum como experiência completa, não como faixa solta. A mensagem é simples: tem coisa que envelhece, e tem coisa que continua “batendo” do mesmo jeito.

Veja no player a seguir o vídeo completo de Regis Tadeu falando sobre o “Master of Puppets” do Metallica, que está completando 40 anos de seu lançamento.

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