Quando Bon Scott morreu, em 1980, pouca gente imaginava que o AC/DC conseguiria seguir em frente sem parecer uma banda tentando se manter viva no piloto automático. O problema não era só arrumar outro cantor. Era achar um cara com presença, pulmão, personalidade e aquela coisa meio “de rua” que o AC/DC sempre teve, mesmo quando o som era simples e direto.
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Foto: Divulgação – Josh Cheuse
– CLI
Brian Johnson entrou nessa história como quem chega sem promessa de “substituir” ninguém. E o detalhe curioso é o que ele diz ter cantado quando foi conhecer os irmãos Young e companhia. Não foi uma escolha “óbvia”, daquelas que você imagina que uma banda faria um candidato testar. Foi uma música de Tina Turner.
Em relatos dele mesmo, Brian contou que aquilo não era bem uma “audição formal”. Era mais um “vem aqui cantar com a gente” e ver no que dá. E aí ele descreve como a coisa começou a funcionar a partir de uma canção que a banda dele em Newcastle tocava e que sempre pegava forte com o público.
“Quando eu fui fazer o teste, que na verdade era um teste, não era exatamente uma audição… era ‘vem aqui e canta com os caras do AC/DC’. A minha banda na época, em Newcastle, tocava ‘Nutbush City Limits’ e era uma das favoritas do público. Ela é poderosa, você precisa dar tudo, não dá pra cantar ‘Nutbush City Limits’ pela metade. E os caras começaram a entrar junto, a bateria, foi só aquele ensaio rapidinho. Foi mágico.”
– GOO
O legal desse trecho, reproduzido pela Far Out, é que ele não está dizendo “eu cheguei e arrebentei”. Ele está descrevendo uma situação de banda: alguém puxa uma música, a cozinha entra, a coisa pega, e em poucos minutos todo mundo entende se tem química ou não. É quase uma audição por instinto, não por currículo.
E faz sentido ele citar Tina Turner como referência vocal. Esse tipo de canto exige força, entrega e energia o tempo inteiro, sem “economia” – e o AC/DC é exatamente isso: música que funciona quando está tudo no máximo, sem espaço para meio termo. Se o cara aguenta uma música assim sem se esconder, você já sabe bastante coisa.
– CLI
Algumas versões da história, citadas pelo American Songwriter, ainda lembram que, além de “Nutbush City Limits”, ele também teria cantado “Whole Lotta Rosie” no mesmo contexto, como se a banda quisesse ver se ele encaixava também no repertório deles.
No fim, a frase “foi mágico” não tem nada de místico. É o tipo de “mágica” que músico entende: quando a banda toca junto e, em poucos compassos, todo mundo sente que dá pra ir adiante. E, no caso do AC/DC em 1980, isso era a única coisa que importava. E se alguém ainda acha estranho o AC/DC “nascer de novo” em cima de uma música de Tina Turner, talvez seja exatamente por isso que funciona tão bem: não é uma escolha calculada. É uma escolha de palco. E palco, quando encaixa, não precisa explicar muito.
– GOO
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– CLI