Mesmo sendo a voz do Metallica há mais de quatro décadas, James Hetfield admite que nunca se sentiu totalmente confortável no papel de vocalista – especialmente no início da carreira. E há uma música específica da banda que até hoje o faz reagir com constrangimento.

A faixa em questão é “Nothing Else Matters”, um dos maiores clássicos do álbum Metallica (The Black Album). Apesar de se tornar um dos maiores sucessos do grupo, Hetfield revelou que não ficou satisfeito com um momento específico de sua própria performance vocal.

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Foto: Universal Music – Tim Saccenti

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A origem da música, aliás, foi totalmente casual. Hetfield estava entediado falando ao telefone enquanto dedilhava a guitarra e acabou tocando as cordas soltas do instrumento. O som chamou sua atenção e acabou se transformando na base da canção.

Inicialmente, porém, ele nem pretendia mostrar a composição ao resto da banda. Isso porque achava que a música era suave demais para o Metallica. Quando o baterista Lars Ulrich ouviu a ideia, insistiu que a banda desenvolvesse a faixa – o que colocou Hetfield diante de um de seus maiores desafios: cantar de forma mais emotiva.

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Durante as gravações com o produtor Bob Rock, o vocalista precisou trabalhar bastante sua voz. Até procurou ajuda de um cantor de sinagoga para aprender técnicas que ampliassem seu alcance vocal, já que até então ele basicamente gritava ou “latia” as linhas melódicas características do thrash metal.

Mesmo assim, quando reviu a gravação anos depois no documentário Classic Albums, Hetfield teve uma reação bastante crítica ao ouvir um trecho da própria voz. No verso “all these words I don’t just say”, sua voz oscila levemente – algo que o incomodou imediatamente. A história foi resgatada pela Far Out.

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Ao ouvir a passagem, ele chegou a se encolher e comentou com um dos engenheiros de som: “That was bad.” (“Aquilo foi ruim.”) O produtor Bob Rock até explicou que a gravação foi feita sem correções digitais, algo comum na época – o que significa que pequenas imperfeições acabaram permanecendo na versão final.

Curiosamente, apesar do desconforto do próprio Hetfield, “Nothing Else Matters” se tornou uma das músicas mais importantes da carreira do Metallica, ajudando a expandir o alcance da banda para além do público tradicional do metal.

A canção ganhou ainda mais dimensão anos depois quando o grupo trabalhou com o compositor Michael Kamen em arranjos orquestrais, culminando na histórica apresentação com a San Francisco Symphony no projeto S&M.

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