Huey Lewis relembrou um daqueles momentos que parecem piada pronta: em 1984, na turnê do álbum “Sports”, ele quis Stevie Ray Vaughan abrindo os shows. O agente chiou, falou que o cachê era alto “pra quem não valia nada”, e o Huey bancou mesmo assim.

O motivo era simples: ele achava o Stevie Ray Vaughan bom demais pra ficar escondido. Huey diz que insistiu, mandou pagar e seguiu o baile. Quando o tour começou, veio a cena que ele descreve como horrível de assistir da lateral do palco. “Eles estavam simplesmente destruindo. Aí a música acabou e teve um momento de silêncio absoluto. E então a plateia começou a cantar: ‘Huey, Huey, Huey, Huey’.”

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Foto: Capa The Essential

Um crítico local também registrou a frieza do público, relembra a Ultimate Guitar: ele escreveu que os riffs e solos lembravam Hendrix, Bloomfield, Johnny Winter e Clapton, mas que quase ninguém parecia se importar, e que muita gente estava mais preocupada com a fila da cerveja do que com o que estava acontecendo no palco.

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Quando o set acabou, o SRV e o Double Trouble teriam voltado pro ônibus sem clima nenhum. Huey foi atrás e deu um papo bem honesto, daquele tipo que você dá pra não deixar o cara pensando que ele “fracassou” tocando mal. “Olha, vocês são tremendos. O negócio é o seguinte: o público está investido na gente. Eles conhecem nossas músicas. Eles ouvem o disco no caminho até o show. Por melhor que vocês sejam, eles já vão achar que a gente vai ser muito, muito melhor. Não tem como vocês ‘ganharem’ aqui.”

Conforme Huey, Stevie e banda compreenderam a situação. “‘Apenas relaxem. Divirtam-se. Acreditem em mim, isso será bom para vocês.’ Eles fizeram isso, e tivemos uma turnê maravilhosa. Stevie Ray subia no palco e tocava ‘Bad Is Bad’ conosco toda noite. Fomos inseparáveis durante toda a turnê.”

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A história não diminui o talento do Stevie, apenas mostra como a plateia funciona. Tem noite em que o público já comprou a festa de um jeito tão fechado que o cara pode tocar como um fenômeno e ainda assim virar “trilha de espera do headliner”. Huey conta isso hoje como quem ainda se incomoda com a cena, mas mantém a decisão: ele queria o SRV ali e continua achando que fez o certo. Às vezes a banda de abertura sai do palco com cara de derrota, mas quem estava vendo de perto sai pensando: “eu vi um gigante… só que o estádio não estava com ouvido pra isso”.

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