Quando Rob Halford resolve apontar “a música” do Motörhead, ele não vai pelo caminho mais previsível. Em vez de puxar “Ace of Spades” e encerrar o assunto, ele escolheu “Rock Out”, do álbum “Motörizer” (2008). E dá pra entender o motivo: é uma faixa que soa como Motörhead em estado puro, sem desvio.

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Foto: Sheila Rock

– CLI










O riff é direto, a bateria vem no tranco e a música parece feita pra palco. Não tem clima de “momento histórico”, não tem lado épico, não tem tentativa de ser mais do que é. É aquele tipo de som que diz: estamos aqui para tocar alto e pronto.

A escolha do Halford apareceu em entrevista à Metal Hammer (via Far Out), e ele justificou citando justamente o que faz o Motörhead ser o Motörhead: Lemmy cantando como se estivesse falando com você no bar, sem filtro, sem cerimônia: “O Lemmy era um compositor brilhante. Eu fico muito feliz que a gente tenha músicas como ‘Rock Out’, em que o Lemmy simplesmente rosna: ‘Liga o foda-se e cai no rock’. Isso é puro genial! Diz muito sobre quem eles são, sobre ir a um show e simplesmente se soltar.”

– GOO












A frase é escancarada, mas é aí que está o ponto. Motörhead nunca foi banda de pose elegante. Era banda de estrada, suor e volume, com letra que parece conversa desencanada e refrão que vira grito de guerra.

Halford também comentou que ainda sente como se fosse esbarrar no Lemmy em algum festival por aí. E, no caso dele, não é só nostalgia de fã: é gente do mesmo circuito, de quem viveu décadas cruzando palcos e bastidores.

“Rock Out” ser a escolha dele diz mais sobre espírito do que sobre hit. Ele não está falando da música mais famosa, e sim da que resume o pacote inteiro em poucos minutos: som alto, humor sujo, e aquela sensação de que, em show de Motörhead, ninguém está ali para manter a compostura.

– CLI