Durante boa parte da trajetória dos The Beatles, Ringo Starr ocupou um papel discreto no processo criativo. Embora fosse presença garantida nos vocais principais de ao menos uma faixa por álbum, suas contribuições autorais foram raras: apenas duas composições próprias entraram oficialmente no repertório da banda.
A primeira, “Don’t Pass Me By”, lançada no White Album de 1968, teve recepção morna. Já a segunda, “Octopus’s Garden”, marcou uma virada de percepção dentro do próprio grupo.
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Foto: Early Beatles – Universal Music – Capitol
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A canção surgiu durante um período de descanso na Itália. Ringo contou que estava na Sardenha, a bordo de um iate emprestado pelo ator Peter Sellers, quando ouviu do capitão histórias sobre polvos que decoravam a entrada de suas tocas com objetos encontrados no fundo do mar. A imagem o inspirou imediatamente. “Algumas tragadas depois com o violão – e tínhamos ‘Octopus’s Garden'”, relembrou anos depois.
Mais do que uma curiosidade lúdica, a música chamou a atenção de George Harrison. À época do lançamento, o guitarrista afirmou (via Far Out): “‘Octopus’s Garden’ é a música do Ringo. É só a segunda que ele escreveu, e é adorável.”
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Harrison reconheceu as limitações técnicas do colega em instrumentos harmônicos, mas destacou o valor da composição. “Acho que é uma música realmente ótima, porque na superfície parece uma canção infantil meio boba, mas a letra é ótima”, declarou. Ele ainda disse enxergar um “significado muito profundo” na canção, sugerindo que Ringo talvez nem percebesse totalmente a dimensão simbólica do que havia criado.
Para Harrison, a faixa revelava um lado mais sensível e intuitivo do baterista, capaz de transformar uma ideia simples em algo poeticamente sugestivo. A partir dali, Ringo passou a ser visto dentro da banda não apenas como intérprete ocasional, mas como compositor legítimo.
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Mesmo após o fim dos Beatles, Starr teria outros sucessos – como “Photograph”, escrita em parceria com o próprio Harrison -, mas “Octopus’s Garden” permanece como o momento em que seu talento autoral foi reconhecido internamente. Foi quando, segundo Harrison, ficou claro que havia ali mais do que uma contribuição pontual: havia uma assinatura criativa própria.
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