Gene Simmons já decretou o “fim do rock” mais vezes do que muita banda lançou disco. Em 2014, por exemplo, ele cravou: “O rock está finalmente morto… não morreu de velhice. Foi assassinado”, dizendo que não existe mais indústria para um moleque de garagem ter as mesmas chances que ele teve.
Gene Simmons – Mais Novidades
Foto: s_bukley @ www.depositphotos.com
– CLI
Agora, Sharon Osbourne foi ao microfone no MIDEM 2026, em Cannes, e tratou essa pergunta (“rock ainda importa?”) como uma coisa meio absurda. Ela diz que rock não é moda passageira e não depende de “truque” para funcionar. E puxou o ponto central: se tem algo que mantém o estilo vivo, é a conexão de show ao vivo, banda tocando instrumento, gente de verdade fazendo som de verdade.
A fala mais forte dela vai direto na jugular do jeito como o mercado olha para o rock hoje: “É incrível pra mim que as pessoas ainda estejam dizendo: ‘música rock, será que vai continuar? Será que vai durar?’ Não é disco. Não é uma música de truque. Vem da alma… E é uma grande forma de arte que, infelizmente, as pessoas olham como o bastardo da indústria: ‘Vocês são uns bastardos. Ninguém quer vocês.’ E essas pessoas não estão na rua. Elas estão afastadas da rua. Estão nos escritórios, estão nos carros com motorista. Elas não entendem o que de fato está acontecendo.”
– GOO
A parte mais prática do raciocínio dela vem quando fala de como a indústria mudou. Sharon disse que hoje o motor é show ao vivo, porque o mercado de discos ficou pequeno e streaming paga mal. Ela citou um exemplo que usa como termômetro: um álbum que chegou ao terceiro lugar nas paradas perto do Natal e teria vendido 8 mil cópias – número que ela tratou como sinal de encolhimento do “mundo do álbum” como obra. E ela reclamou desse hábito de consumir música picada, faixa por faixa, sem a experiência do disco inteiro.
Essa visão não vem só de opinião de “comentadora”. Sharon puxou o assunto para a própria experiência com o Ozzfest, que ela ajudou a criar depois de Ozzy não ter sido escalado para o Lollapalooza. Ela sempre vendeu o festival como vitrine de banda nova, não só como vitrine de medalhão – e reforçou que a ideia era colocar gente começando para tocar para multidão, pegando carona no público dos headliners.
– CLI
Dá para concordar ou não com o jeito dela falar, mas o recado é bem claro: pra Sharon, o rock segue vivo enquanto existir banda tocando, público em show, e gente nova querendo ocupar palco com instrumento na mão. O resto – hype, algoritmo, “o próximo grande nome” – muda toda hora. Ela está apostando no que não muda.