A volta do Rush aos palcos, seis anos após a morte de Neil Peart, exigiu uma decisão delicada: quem ocuparia a bateria? A escolhida foi Anika Nilles, mas, segundo Geddy Lee, houve um momento em que ele e Alex Lifeson duvidaram que a escolha funcionaria.
Em entrevista ao The Guardian (via Ultimate Guitar), Lee foi direto ao lembrar dos primeiros ensaios. “Para ser honesto, acho que não sabíamos quais eram nossas expectativas quando ela chegou. Quando começamos a tocar com ela, algo parecia errado. E eu, claro, pensei: ‘Isso não vai dar certo’.” Segundo ele, as viradas complexas de Peart não foram o problema. “Aquelas viradas aparentemente impossíveis não foram um problema para ela. O difícil foi entender a relação entre caixa, bumbo e chimbal, que é diferente da formação dela.”
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Foto: Andrew MacNaughtan
Os primeiros dias foram tensos. “Os primeiros quatro dias foram de altos e baixos. Ela estava nervosa, sofrendo com o fuso horário, e nós estávamos inseguros”, contou Lee. Em determinado momento, os dois músicos conversaram francamente: “‘Não sei, Al, será que isso vai dar certo?'”. Ainda assim, decidiram não se precipitar. “Conversamos sobre todas as coisas que gostávamos nela, sua ética de trabalho, o fato de ser uma pessoa legal e sua grande habilidade técnica. Então fomos para aquele último dia – e ela simplesmente arrasou.”
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Lifeson complementou explicando o que mudou. “Ela de repente entendeu do que estávamos falando durante toda aquela semana. Não sobre o aspecto técnico, mas sobre as sutilezas, aquilo em que Neil era tão incrível, aquelas dinâmicas internas que só outro baterista consegue entender. E aí a ficha caiu para ela.”
A missão de substituir Peart vai além da técnica. As composições do Rush são marcadas por nuances rítmicas e interações quase telepáticas entre os instrumentos. Para Lifeson, a fidelidade aos arranjos é essencial: “As partes precisam ser fiéis, porque essa é a expectativa dos fãs.” Ao mesmo tempo, ele deixou espaço para personalidade. “Não impomos nenhuma restrição. Quando ela estiver confortável e confiante com os arranjos, está livre para aprimorá-los com seu próprio espírito.”
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A retomada do Rush, que segundo Lee foi precedida por “muita angústia e hesitação”, representa não apenas um retorno musical, mas um ajuste emocional. “A vida é curta, amamos esse material”, disse o baixista em outra entrevista recente. Se no início houve dúvida, hoje a sensação é de encaixe – técnico e humano.