Tem músico que conta essa história como se fosse um chamado místico. O Zakk Wylde conta como lembrança bem concreta: um dia qualquer, um palco improvisado, e um cara tocando um riff que encheu a sala. Quando perguntaram qual música fez ele querer pegar na guitarra, ele não puxou nada obscuro nem “lado B” – foi direto numa daquelas que todo mundo reconhece em três notas, conforme publicado no Blabbermouth.
Zakk Wylde – Mais Novidades
Foto: Justin Reich
– CLI
Ele puxou a memória de um show de banda cover na escola, antes do ensino médio, e diz que foi ali que bateu a vontade de pegar na guitarra: “Eu lembro – foi doido. Eu lembro de ver uma banda tocar na nossa escola. Acho que foi antes do ensino médio, talvez na oitava série, algo assim. Mas eu lembro dessa banda cover tocando, e eu lembro do cara tocando ‘Smoke on the Water’, e aquela força toda, e ouvir aquilo ao vivo… foi incrível. Porque ouvir e depois ver ao vivo… é como ver alguém fazendo um truque de mágica na sua frente, e isso te inspira a querer virar mágico também. Tipo: ‘Caramba, isso é a coisa mais interessante que eu já vi na vida.'”
A partir daí ele puxa uma ideia que muita gente entende, mesmo sem tocar nada: música como “mágica” no sentido literal de mexer com você e te transportar no tempo. Ele cita uma frase do Tom Petty dizendo que música é a forma mais verdadeira de magia, e emenda numa memória do Ozzy Osbourne.
– GOO
E o Zakk ainda volta do “conceito” pra coisa prática, de aprendiz mesmo: ele do professor com quem ele chegou a fazer aulas depois, e do quanto era marcante ver alguém tocar de perto, mão por mão, e ir mostrando o caminho: “O que é engraçado é que eu lembro do Tom Petty dizer: ‘Música, pra mim, é a forma mais verdadeira de mágica’, e isso é meio verdade. (…) E foi como o Ozzy… ele falou que lembra exatamente onde estava quando ouviu a primeira música dos Beatles. Eu lembro do Ozzy falando dos Beatles. Ele disse: ‘Zakk, era como se tudo estivesse em preto e branco. E quando eles apareceram, o mundo ficou colorido.’ (…) E, claro, ver o Leroy tocar na minha frente foi a coisa mais legal. E toda semana, quando eu tinha aula com ele, era a hora mais legal da minha vida. Ficar sentado vendo as mãos dele e ele quebrando tudo, me mostrando… como tirar coelho da cartola, como fazer truque de carta. ‘Não, você tá fazendo errado. É assim.’ E aí você aprende a tocar o lick de ‘Back in Black’, do AC/DC… e consegue tocar junto com o disco. E você pensa: ‘Isso é mágica’, porque você está tocando junto com suas bandas favoritas. É coisa de explodir a cabeça.”
– CLI
O fio que liga tudo é simples: a primeira faísca veio de um riff tocado ao vivo por um cara qualquer numa banda cover, e depois virou método: aula, repetição, aprender “o truque”, testar com o disco tocando. Não tem muito romantismo nessa parte: tem trabalho e obsessão, do jeito que nasce quase todo guitarrista.
E é curioso ele escolher justamente “Smoke on the Water” pra explicar isso, porque a música tem essa característica de “porta de entrada”: não é a coisa mais complicada do mundo, mas tem impacto, tem peso, e dá aquela sensação de “eu também consigo chegar lá”. Às vezes é assim mesmo que começa – com três ou quatro notas bem tocadas, no volume certo, no lugar certo, na idade certa.
– GOO