Paul Gilbert construiu a fama em cima de precisão e solo “na medida”, daqueles que entram, resolvem a ideia e saem. Só que, em entrevista recente citada no Ultimate-Guitar ele falou de um tipo de coisa que sempre pareceu distante do jeito como ele foi moldado: músicas com trechos longos para improvisar, sem aquela estrutura curtinha de solo que ele sempre gostou de ouvir como fã.
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Foto: earMUSIC – Neil Zlozower
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A conversa era sobre improvisação, e ele explicou que isso era muito mais comum no rock dos anos 1960 e 1970. Só que, quando era mais novo, ele não tinha paciência para esse formato. E aí veio o exemplo mais direto: “Light My Fire”, do The Doors, que tem uma seção instrumental longa no meio. Ele contou que, como ouvinte, achava aquilo chato e ficava esperando o vocal voltar.
“Eu acho que tem uma coisa em que eu não sou muito bom e que eu quero melhorar: escrever músicas que tenham uma seção longa em que você possa improvisar. Porque, quando eu era garoto, eu não gostava de ouvir isso. Eu ouvia uma música no rádio como ‘Light My Fire’, do The Doors, e ela tem um solo longo. E, quando eu era garoto, isso era chato pra mim. Eu ficava pensando: ‘Quando é que o cantor vai voltar?'”
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Ele disse que isso sempre foi curioso, porque ele amava tocar solos, mas como fã preferia solos curtos. E citou Eddie Van Halen como exemplo desse tipo de solo que ele gosta: entra rápido, diz o que tem pra dizer e some antes de cansar. A preocupação, para ele, era não perder o ouvinte no meio do caminho.
Só que ele também contou que isso mudou com o tempo. Ele começou a gostar mais de solos longos, passou a escutar e curtir esse tipo de “viagem” instrumental – e agora está tentando colocar isso no próprio repertório de forma mais natural, especialmente ao vivo, onde dá para esticar sem a paranoia de ficar “amarrado” ao tempo do estúdio.
Gilbert ainda citou uma música do álbum solo mais recente (WROC) como exemplo de como ele está abrindo espaço para isso, dizendo que no palco a ideia é deixar o trecho final crescer, improvisar mais e ver até onde dá para ir. E o detalhe engraçado é que, mesmo falando em “aprender a esticar”, ele continua com o mesmo medo de sempre: não entediar ninguém no processo.
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No fim, a história funciona por um contraste simples. Paul Gilbert ficou conhecido pelo solo cirúrgico, e agora está tentando fazer as pazes com aquele tipo de solo longo que ele achava chato na infância. E, no caminho, sobrou até para o The Doors – não pela música, mas pela paciência que ela exigia de um garoto que só queria que o vocal voltasse logo.
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