O compromisso de Kurt Cobain com a simplicidade abriu portas para que o Nirvana criasse sons com muito apelo comercial, do tipo de gruda na cabeça e lá fixa residência. Isso é algo bastante raro no mercado fonográfico.

Kurt não tocava mil notas por segundo na guitarra, tampouco sabia todas as escalas do modo grego, mas o cara tinha um tino apurado para emplacar boas melodias e riffs em seus discos – vide os hits Smells Like Teen Spirit, Come As You Are, Lithium e In Bloom.

Apesar do doce apelo melódico em sua arte, Kurt queria ter uma carreira de ascensão gradual como a do R.E.M. nos anos 80 e, ao ver outros músicos vestindo camisas de flanela e cantando sobre suas próprias dores internas, percebeu que havia praticamente criado um gênero, o que ele desprezava.

E ele não escondeu as suas críticas aos grupos que ele julgava oportunistas. Em 1992, batendo papo com o pessoal do Flipside, Kurt Cobain deixou claro nutria desprezo e indiferença ao Pearl Jam e Alice In Chains.

“Tenho opiniões fortes sobre o Pearl Jam, Alice in Chains e bandas do tipo. Eles são, obviamente, apenas fantoches corporativos tentando pegar carona na onda do rock alternativo, e nós estamos sendo colocados no mesmo balaio.

Kurt acrescentou em tom crítico: “Essas bandas faziam parte daquela cena de cock rock e laquê há anos e, de repente, pararam de lavar o cabelo e começaram a usar camisas de flanela. Isso não faz sentido para mim. Há bandas mudando de Los Angeles para Seattle. Elas estão afirmando que moram lá a vida toda para conseguir contratos com gravadoras. Isto me ofende muito”.